1970 foi um ano diferente. Eu começava a ensaiar os primeiros passos sobre as letras. Naqueles dias o aprendizado da escrita era silábico. Aprendíamos a grafar as sílabas e repetíamos várias vezes palavras que as empregavam.
Durante o ano, no entanto, houve uma mudança nas ruas que até eu, pequenote, percebia. As cores da bandeira brasileira estavam em todo canto. As revistas traziam bandeiras. Os carros traziam fitas verde-amarelas atadas nas antenas de rádio. Eu percebia uma euforia nova, uma nova alegria nas ruas.
Eu não associava essa alegria toda com o futebol, mas sabia de cor o início de um novo hino nacional:
Noventa milhões em ação
Prá frente Brasil!
Salve a seleção!
De repente é aquela corrente pra frente,
parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção,
Tudo é um só coração,
Todos juntos vamos,
Prá frente Brasil, Brasil!
Salve a seleção.
E estávamos todos juntos mesmo. Durante o primeiro jogo que assistimos, talvez o 4 a 1 contra a Tchecoslováquia, a família estava toda reunida diante da nossa TV preto-e-branco. Eu lembro tinha que ficar quieto. Como toda criança de cinco anos que se preze, eu achava isso aborrecidíssimo. Mesmo assim, estavam todos na frente da TV e eu fiquei por ali, mais uma vez, sem entender direito o que acontecia.
A monotonia foi quebrada pelo gol. Pela primeira vez na vida eu vi os meus irmãos gritando e pulando de alegria. Gritando eu disse? É pouco. Vocês não fazem idéia do vozeirão que meu irmão mais velho tem até hoje. Eu levei um susto antológico e, como não é de se estranhar num pequeno tão pequeno, abri o berreiro.
Mas foi só o primeiro jogo. Logo depois eu me acostumei com a ideia de lutarmos pela posse definitiva da Taça Jules Rimet.
Quem aprecia um lindo futebol talvez goste dos melhores momentos da Copa. Pela ordem dos jogos:
terça-feira, 12 de maio de 2009
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