terça-feira, 12 de maio de 2009

Ba bé bó bú - Copa de 70

1970 foi um ano diferente. Eu começava a ensaiar os primeiros passos sobre as letras. Naqueles dias o aprendizado da escrita era silábico. Aprendíamos a grafar as sílabas e repetíamos várias vezes palavras que as empregavam.

Durante o ano, no entanto, houve uma mudança nas ruas que até eu, pequenote, percebia. As cores da bandeira brasileira estavam em todo canto. As revistas traziam bandeiras. Os carros traziam fitas verde-amarelas atadas nas antenas de rádio. Eu percebia uma euforia nova, uma nova alegria nas ruas.

Eu não associava essa alegria toda com o futebol, mas sabia de cor o início de um novo hino nacional:

Noventa milhões em ação
Prá frente Brasil!
Salve a seleção!

De repente é aquela corrente pra frente,
parece que todo Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção,
Tudo é um só coração,

Todos juntos vamos,
Prá frente Brasil, Brasil!
Salve a seleção.

E estávamos todos juntos mesmo. Durante o primeiro jogo que assistimos, talvez o 4 a 1 contra a Tchecoslováquia, a família estava toda reunida diante da nossa TV preto-e-branco. Eu lembro tinha que ficar quieto. Como toda criança de cinco anos que se preze, eu achava isso aborrecidíssimo. Mesmo assim, estavam todos na frente da TV e eu fiquei por ali, mais uma vez, sem entender direito o que acontecia.

A monotonia foi quebrada pelo gol. Pela primeira vez na vida eu vi os meus irmãos gritando e pulando de alegria. Gritando eu disse? É pouco. Vocês não fazem idéia do vozeirão que meu irmão mais velho tem até hoje. Eu levei um susto antológico e, como não é de se estranhar num pequeno tão pequeno, abri o berreiro.

Mas foi só o primeiro jogo. Logo depois eu me acostumei com a ideia de lutarmos pela posse definitiva da Taça Jules Rimet.

Quem aprecia um lindo futebol talvez goste dos melhores momentos da Copa. Pela ordem dos jogos:
















segunda-feira, 11 de maio de 2009

Primeiro Dia de Aula

Eu já tinha quatro anos de idade! Já era hora de começar os estudos. Eu lembro de ter protestado contra o uniforme do jardim de infância porque a figura ilustrativa do pequeno macacão, produzida cuidadosamente no mimeógrafo, estampava a figura de uma menina. Minha mãe cortou um dobrado para me convencer de que todos os meninos estariam com o mesmo uniforme.

Porém inesquecível mesmo foi o taxi que nos levou até a escola. Um portentoso Aero Willys preto. Foi a primeira e única vez que andei naquele num deles.

Bem perto da minha casa há um exemplar estacionado, aguardando restauração. Um veículo admirável.






sexta-feira, 8 de maio de 2009

Capitão Aza


Todos os dias a garotada esperava ansiosamente pela chamada...

Alô, alô Sumaré! Alô, alô Embratel! Alô, alô Intelsat 4! Alô, alô criançada do meu Brasil!, aqui quem fala é o Capitão Aza, comandante e chefe das forças armadas infantis deste Brasil.

O Clube do Capitão AZA foi um programa infantil de desenhos animados criados em 1966. O apresentador Wilson Vianna interpretava o Capitão AZA que comandava o programa de seu disco voador (como o da Xuxa) chamando de lá dezenhos animados que tornaram-se sucesso absoluto. Ele foi o primeiro a apresentar os Heróis Marvel (Homem-de-Ferro, Hulk, Thor, Homem-Aranha, Príncipe Namor) e o primeiro programa no qual o Speed Racer realmente fez sucesso.

Durante os primeiros anos, o capitão era auxiliado pela menina Martinha, que eu considerava a coisa mais linda do mundo.

Os vídeos do Youtube com cenas do Capitão estão sendo removidos. Por isso as referências atuais são poucas.

  • MÚSICAS




  • TEMA REGRAVADO PELO LEONI




  • SUPER-HERÓIS MARVEL




  • EPISÓDIO CHÁSSICO DO HOMEM-DE-FERRO




quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um pequeno passo para o homem...

Quando eu era pequenino, sempre me perguntavam o que eu desejava ser quando crescesse. A minha resposta era, em geral, astronauta.

Não era à toa. Quando eu tinha quatro anos de idade nós todos vivíamos a euforia da conquista da primeira viagem à lua. Ao invés de imaginar que nós colocaríamos o futuro de nosso planeta em risco sem sequer uma explosão nuclear, adultos e crianças imaginaram um universo povoado de astronautas. Até o "amo" da Jennie era um astronauta...

No dia vinte de julho de 1969 todos nós passamos um longo tempo diante da TV aguardando as imagens do pouso. Eu era pequeno demais para entender exatamente o que se passava (tinha quatro anos), mas o evento notável repercutiu tempo o suficiente para que eu meus sonhos infantis se apropriassem dele. Assim que aprendi a ler decorei as revistas que ilustravam com narrativas detalhadas todas as fases da viagem.

Uns cinco anos depois, ganhei um livro que guardo com carinho, de Von Braun, anterior às missões Apolo, em que descrevia alternativas que consideradas para várias etapas do projeto.

A viagem foi feita por três espaçonaves. A primeira a trabalhar era um enorme foguete de três estágios, com inimagináveis 111 metros de altura quase que totalmente repletos de combustível. Seus poderosos motores foram encarregados de colocar em órbita a espaçonave Apolo 11 que cuidaria do restante da viagem.

Antes porém de partir para a "perna final", a Apolo 11 separou-se do Saturno V e girou em torno de si 180 graus a fim de enganchar com a ponta do nariz o módulo Lunar, no qual dois astronautas pousariam na lua. Feito isso, a Apolo 11 rumou para o satélite.

Uma vez em órbita dois astronautas, Aldrin e Armstrong, passaram da Apolo 11 para o módulo lunar que realizou dramática descida. Pelo que sabemos, os foguetes do Módulo lunar destinados ao pouso quase que esgotaram o combustível durante a procura de um local apropriado para a descida. Esses foguetes de descida, junto com as "pernas" do módulo Lunar, ficaram na lua. A parte de cima, contendo o foguete de decolagem, voltou para o espaço no tempo justo de se acoplar à Apolo 11 que continuava em órbita.

Resgatados os astronautas a Apolo 11 retornou à terra. Todavia apenas o cone superior, o pequeno módulo de sobrevivência amerrissou. Depois de uma dura reentrada na atmosfera, a cápsula espacial abriu seus três gigantescos paraquedas e mergulhou no oceano. Bóias circulares ao redor da base da cápsula inflaram-se para levá-la à superfície, onde helicópteros da marinha resgataram os heróis mundiais.

Eu posso ter me enganado em algo, pois são memórias de quarenta anos atrás. Mas creio que foi próximo disso.

Mesmo que o sonho infantil tenha dado lugar a outros, nunca deixei de me encantar com a majestade do lançamento do foguete Saturno V cuja função era colocar em órbita a nave Apolo 11 e seu irmão gémeo de dois estágios, o Módulo Lunar.

Como a internet encontra-se de tudo, vão alguns vídeos do voo.

Lançamento do Saturno V (30 segundos)



Lançamento em câmara ultra-lenta. Imagens impressionantes.


Lançamento do Saturno V - versão da TV incluindo uma longa contagem regressiva (10 minutos)



Bela montagem de fotos da viagem.


Pouso do módulo lunar


Um pequeno passo para o homem...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Braguinha e as Crianças

Braguinha era um gênio da Música, e eu tive a felicidade de ouvir em toda a minha infância as suas fantásticas histórias infantis. Não eram apenas excelentes histórias e adaptações. Nem tampouco apenas peças de excepcional qualidade musical. Braguinha tinha uma habilidade singular de fazer permear no seu mundo de faz-de-conta, questões profundamente humanas e difíceis, a morte, o vício, o desejo de vingança revestindo-as de carinho, afeto e nobres valores.

Os vídeos que se seguem são uma referência de gratidão a esse artista que nos deixou, a nós todos um pouco orfãos quando partiu. Quem tiver tempo e curiosidade, poderá comparar a índole que Braguinha deu às personagens da história João e Maria (abaixo) com a que os mesmos personagens tinham no conto original dos irmãos Grimm (que pode ser lida a partir da página 69, do livro eletrônico do projeto Gutheberg aqui).

Braguinha, nosso coração bate feliz quando te escuta.





O primeiro carro da família!

Em 1969 (eu tinha três anos então), ocorreu um evento marcante em nossa família: O primeiro automóvel!

Papai adquiriu um DWK Belcar azul. Contudo o automóvel chegou antes de papai conseguir a carteira de habilitação. Conta-se que ele teve que insistir algumas vezes até conseguir passar nos exames. Apesar de não termos muito dinheiro, o jeito que encontrou para nos levar a passear foi contratar um motorista. Joaquim, ou o "Quimquim", como o chamávamos carinhosamente, conduziu-nos em segurança aos primeiros passeios de família no Belcar. Lembro-me em especial de um, ao Parque da Cidade (Foto 1, Foto 2 e Foto 3), em cuja subida, o motor do carrinho "ferveu".

Pesquisar na Internet sobre o DWK Belcar foi uma delícia. Encontrei excelentes fotografias como a do jovem Renato Bellote e uma galeria da revista Auto Esporte.

Descobri também que vários colecionadores mantém o seus carros funcionando. Escolhi, como antes, três vídeos sobre o Belcar. O primeiro documenta a restauração de um carro antigo. O segundo e o terceiro são uma reportagens em duas partes sobre o Belcar.





segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um Brasil em que nasci

Por falar em curvas, eu nasci no meio de uma curva fechada da história nacional. O regime militar do Brasil ainda não completara nem um ano de idade. Aliás, como explicarei noutro "post", eu sou mesmo um "filhote da ditadura", mas não na acepção pejorativa que atribuía à expressão o Leonel.

É muito difícil explicar, em especial às gerações mais jovens, o que significaram aqueles anos para aqueles que, como os da minha família, pensavam mais à esquerda do que à direita.

Dizem que uma imagem vale por mil palavras. Quanto mais um vídeo...

Colhi na internet, bastante ao acaso eu diria, três vídeos que surpreendem os nossos olhos acostumados a um país em que a principal fonte de violência vem do enrosco do poder público com os fornecedores de substâncias proibidas que a nossa sociedade consome em larguíssima escala.

Mesmo fazendo um generoso desconto por conta da ideologia dos autores, as imagens, no mínimo incomodam. Eu era um bebê quando as primeiras dessas coisas aconteceram.

Para mim não parece tanto tempo atrás.







Um bom dia a todos.

PS: Vale à pena visitar os documentos da FGV